Quando a vida (re)começa

Quando a vida (re)começa
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"JP tem 50 anos...mais de metade dos quais vividos em luta contra si próprio...refém de substâncias psicoativas. Iniciou consumos muito jovem, quando pouco ou nada se sabia acerca dos riscos e danos a que tais comportamentos poderiam levar um ser humano. Das experiências ocasionais ao abuso e mais tarde à dependência...um passo! Era para ele um modo de se integrar junto dos seus pares, de ser aceite, de gostarem dele ou dele próprio gostar de si, de imitar aqueles que admirava...não era um problema e quando quisesse podia parar, podia deixar quando quisesse. Acreditava ele!

Na adolescência descreve-se como um rapaz que não se conhecia a si próprio, "sem querer passava a vida a imitar as pessoas que admirava". Aos 16 anos começou a consumir haxixe, depois com o tempo passou por todo o tipo de drogas, desde heroína às pastilhas ou ao álcool. A partir deste ponto na sua vida nunca mais conseguiu ter uma relação estável com o pai, até que chegou o dia em que foi posto fora de casa e aí começaram os problemas, não só com a família mas também com a justiça.

"Até aos 30 anos andei a enganar toda a gente, mais tarde percebi que eu é que me estava a enganar", altura em que foi preso pela primeira vez. Durante a década seguinte "entre entradas e saídas da prisão, consumos, roubos e venda de drogas, tive consciência de que não estava a ir pelo caminho certo".

Aos 40 anos pediu ajuda para retomar o seu caminho. No decorrer do processo para iniciar um tratamento "ouvi a pior coisa que me podiam ter dito: Tens HIV!...E o mundo caiu-me aos pés!..." Confrontado com sentimentos de revolta e raiva, tentava encontrar um culpado para tudo isto. "Quando me conheci é que percebi que o meu pai não era o culpado de tudo o que me aconteceu".

Estes últimos dez anos têm sido para ele uma luta constante, entre pedir ajuda, iniciar tratamentos sem sucesso e voltar a acreditar. Atualmente, e desde há cinco anos, encontra-se abstinente de todas as drogas, integrado no mercado de trabalho e a viver em habitação própria.

Reconhece que mudou a sua forma de estar na vida, continua a lutar todos os dias para se manter abstinente e a sentir-se bem com ele próprio. "Farei tudo para conseguir e continuarei a lutar e não vai ser agora que vou desistir!"

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