Uma miúda cigana singular … Sandra!

Uma miúda cigana singular … Sandra!
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Ainda andava longe de perceber o que queria fazer da vida quando a conheci, mas a sua vontade de contrariar a "sina" das mulheres ciganas era e é apaixonante!

Houve muita gente a querer traçar-lhe o destino, família dizia "se fosses minha filha já estavas casada" na escola, na comunidade e no seu meio social diziam: "vais ser como as outras, abandonar a escola e seres mais uma beneficiária de uma prestação social..."

Neste caso, o inapropriado exercício de futurologia, a cheirar a preconceito e racismo, tinha apenas uma premissa, o facto de ela ser cigana de pai e mãe, e que, entretanto, o progenitor faleceu subitamente (afogamento na tentativa de salvar um familiar), a dada altura, o estigma quase levou a melhor sobre ela. A desmotivação era tal que no 7.º ano chumbou e esteve para ir embora. Mas não foi. E tudo mudou.

Com o apoio da mãe, o seu grande pilar, do Centro Comunitário e de alguns professores entrou numa turma mais pequena, que a recebeu "super bem", e os resultados não tardaram.

Quando relembro esta fase sorrio ...ainda eu estava a entrar ao serviço e ouvia "Cecília anda, preciso de ajuda tenho teste e muitos trabalhos e quero ter uma boa nota ..."

E assim ganhou alento para o que estava para vir, acabou o terceiro ciclo, nas férias desse ano trabalhou e deixou uma imagem positiva na empresa, desconstruindo preconceitos que os ciganos não querem trabalhar, que não tem capacidades. O salário foi para tirar a carta de condução, reprovou no código algumas vezes, mas nunca desistiu. Devido a sua persistência atualmente também contribui para o aumento de tráfego :-)

Hoje, frequenta o secundário (11º) é uma ativista (pertence a um grupo de jovens ciganos que lutam para fazer a diferença) fiel às tradições e à herança da cultura cigana, é um dos rostos mais visíveis de um leque de jovens que, pelo exemplo e pela capacidade de resiliência, lutam diariamente para derrubar barreiras e estereótipos de toda a espécie.

De destacar que a Sandra e a sua família sempre tiveram casa própria e digna... J

Mais do que reclamar mérito próprio, a miúda singular lembra todos os outros jovens ciganos de que é possível, basta querer, acreditar e lutar!!

*O Nome usado na história é fictício

História partilhada por uma técnica do Centro Comunitário

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